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Após aprovação de lei, Venezuela recebe mais de 1,5 mil pedidos de anistia em três dias

Venezuela aprova lei de anistia, uma exigência do governo norte-americano A Venezuela já recebeu mais de 1.550 pedidos com base na nova lei de anistia aprovad...

Após aprovação de lei, Venezuela recebe mais de 1,5 mil pedidos de anistia em três dias
Após aprovação de lei, Venezuela recebe mais de 1,5 mil pedidos de anistia em três dias (Foto: Reprodução)

Venezuela aprova lei de anistia, uma exigência do governo norte-americano A Venezuela já recebeu mais de 1.550 pedidos com base na nova lei de anistia aprovada pela Assembleia Nacional, informou neste sábado (21) o presidente do Legislativo, Jorge Rodríguez, em entrevista à televisão estatal. Segundo ele, centenas de detidos estão sendo libertados desde a promulgação da norma. A lei foi aprovada na quinta-feira (19), em segunda e última votação, por unanimidade no Parlamento controlado pelo chavismo, e já foi promulgada pela presidente interina Delcy Rodríguez. A tramitação ocorreu em meio ao quinto dia de greve de fome de familiares de presos políticos. Segundo a agência de notícias Reuters, organizações de direitos humanos afirmam que a medida é limitada e não garante alívio suficiente para centenas de pessoas classificadas como presas políticas no país. Presidente interina da Venezuela anuncia projeto de lei de anistia Jornal Nacional O que prevê a nova lei O texto aprovado tem 13 artigos e estabelece anistia para fatos ocorridos desde 1999, início da era chavista. A norma determina a libertação de detidos e o cancelamento de medidas judiciais e mandados de prisão internacionais contra aqueles que obtiverem o benefício. Na prática, a proposta pode abrir caminho para o retorno de opositores que vivem no exterior. Pessoas fora do país poderão nomear advogados para solicitar a anistia, mas, para que o benefício seja concedido, precisarão comparecer pessoalmente à Justiça venezuelana. A redação final, porém, é mais vaga do que o rascunho inicial que circulou no início do mês. Diferentemente da versão preliminar, o texto aprovado não detalha quais crimes poderão ser anistiados e não prevê: devolução de bens confiscados; revogação de proibições para ocupar cargos públicos; cancelamento de sanções impostas a veículos de comunicação. Além disso, a lei exige que o beneficiado esteja “à disposição da Justiça” e tenha “cessado a execução das ações que constituem crimes”, o que, segundo críticos, pode excluir opositores que continuaram a atuar politicamente no exterior. Exceções podem atingir líderes da oposição O texto exclui da anistia pessoas que tenham promovido, financiado ou participado de ações armadas ou de força contra a soberania ou a integridade territorial da Venezuela —inclusive com envolvimento de Estados ou entidades estrangeiras. A formulação pode afetar diretamente figuras da oposição, como María Corina Machado, acusada pelo chavismo de defender uma intervenção estrangeira no país. Outro caso citado foi o do opositor Juan Pablo Guanipa, aliado de Machado, que teve recentemente suspensa a ordem de prisão domiciliar contra ele, segundo familiares. Contexto político e pressão internacional A proposta foi anunciada em janeiro por Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após a captura e deposição de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos. Desde então, o governo venezuelano tem atendido a exigências da administração americana, inclusive relacionadas à política petrolífera, e promovido a libertação de alguns detidos classificados como presos políticos por organizações independentes. O governo venezuelano nega a existência de presos políticos e afirma que os encarcerados cometeram crimes comuns, como terrorismo ou traição. Já entidades de direitos humanos e a oposição acusam o chavismo de usar detenções para reprimir dissidentes —entre eles políticos, jornalistas, ativistas e integrantes das forças de segurança. Segundo a ONG Foro Penal, ao menos 644 pessoas continuam presas por motivações políticas no país. A aprovação da lei por unanimidade no Parlamento não eliminou as críticas. Para organizações de direitos humanos, as exigências impostas e as exceções previstas podem limitar o alcance da anistia e manter parte significativa dos opositores sob risco judicial. Ainda assim, o elevado número de pedidos apresentados em poucos dias —mais de 1,5 mil— indica a dimensão da expectativa em torno da medida e o tamanho do passivo político acumulado ao longo dos 27 anos de chavismo.