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Após fracasso eleitoral, Trump dobra a aposta na radicalização

Stephen Miller conversa com repórteres em Washington. Kent Nishimura/Reuters Se o terremoto eleitoral que devastou o Partido Republicano na última terça-fei...

Após fracasso eleitoral, Trump dobra a aposta na radicalização
Após fracasso eleitoral, Trump dobra a aposta na radicalização (Foto: Reprodução)

Stephen Miller conversa com repórteres em Washington. Kent Nishimura/Reuters Se o terremoto eleitoral que devastou o Partido Republicano na última terça-feira expressou a contundente rejeição dos americanos ao governo Trump, o presidente preferiu tomar a direção oposta à da conciliação, ao nomear Stephen Miller para o cargo de chefe de gabinete da Casa Branca. Como mentor da política repressora da caça e da deportação de imigrantes, ele sinaliza a radicalização do governo nos próximos dois anos. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A promoção de Miller a um dos postos mais poderosos do círculo presidencial, no lugar de Susan Wiles, indica a etapa final do segundo mandato marcada por uma profusão de decretos, vetos e intensos confrontos com a oposição democrata que dominará o Congresso. Como observou o congressista Robert Garcia, Trump optou por redobrar a aposta, mesmo após a reprovação do eleitorado americano. “Trump não aprendeu nada com a sua derrota histórica. Stephen Miller é o arquiteto das políticas mais bárbaras e desumanas deste governo. Ele não poderia ter feito escolha pior”, reagiu o atual líder da minoria no Senado Chuck Schumer. Trump convida presidente do UFC para porta-voz da Casa Branca O líder democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, qualificou o novo chefe de gabinete como “um xenófobo perigoso e um extremista imprudente que tem sangue americano nas mãos”. O desagrado democrata a Miller tem antecedentes: seu nome tornou-se sinônimo da agenda repressora à imigração, ao estabelecer uma meta de 3 mil prisões diárias, abrangendo os estrangeiros que estejam em situação irregular e não apenas os que têm acusações criminais. Miller foi ferrenho defensor da guerra declarada ao Irã, também apontada como um dos motivos que levaram ao fracasso eleitoral dos republicanos “Vivemos num mundo real que é governado pela força e pelo poder. Ninguém irá travar militarmente os Estados Unidos”, declarou ele em janeiro, logo após a operação militar dos EUA na Venezuela, que capturou o ex-ditador Nicolás Maduro em Caracas. Na época, o então vice-chefe de gabinete antevia uma ação militar americana para tomar o controle da Groenlândia. Aos 41 anos, Miller circula na órbita de Trump desde o seu primeiro mandato e o influenciou em medidas controversas, como as restrições de viagens a países de maioria muçulmana e a política de separação de famílias na fronteira com o México. No segundo mandato, combateu firmemente as ações de inclusão e diversidade e sustentou a ofensiva contra os direitos das pessoas transgênero. Ou seja, atua como um ideólogo linha-dura, empenhado em ampliar e proteger o poder de Trump. Neste momento de debacle eleitoral, o presidente parece querer passar a mensagem de força e não de fraqueza, ao trazer para o seu círculo mais próximo um conselheiro mais do que leal e que também cultiva a fama de brigão. Ele expõe, assim, os termos da negociação com seus opositores. Não por acaso, escolheu Dana White, o diretor da poderosa organização de lutas UFC, a quem chamou de “violento combatente e guerreiro”, para ser o secretário de imprensa da Casa Branca. “Precisamos desse pessoal para nos defender da esquerda maluca”, justificou Trump.