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Brasil é um dos países que mais acham Trump bom para o mundo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante encontro com líderes religiosos em 5 de fevereiro de 2026 Saul Loeb/AFP Os brasileiros estão entre as p...


Brasil é um dos países que mais acham Trump bom para o mundo
Brasil é um dos países que mais acham Trump bom para o mundo (Foto: Reprodução)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante encontro com líderes religiosos em 5 de fevereiro de 2026 Saul Loeb/AFP Os brasileiros estão entre as populações de grandes economias que mais acreditam que as políticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, são boas para o mundo. É esta a opinião de um em cada três brasileiros, de acordo com uma pesquisa publicada nesta segunda-feira (9) pela Conferência de Segurança de Munique. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Ainda assim, segundo o estudo, pelo menos metade dos entrevistados brasileiros não acham que as políticas de Trump sejam boas para o Brasil ou para o mundo. A maioria dos cidadãos nos onze países pesquisados enxergam com maus olhos a gestão do republicano. A pesquisa foi realizada em novembro de 2025, antes da recente escalada nas operações contra imigrantes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). Os entrevistados vêm dos países do G7, isto é, Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido, bem como do Brasil, da Índia, da China e da África do Sul. De acordo com a pesquisa, o Brasil é o terceiro país onde mais pessoas concordam que as políticas de Trump são boas para o mundo (34%), atrás apenas dos Estados Unidos (37%) e da Índia (36%). Veja os vídeos que estão em alta no g1 Discordam dessa afirmação no Brasil 50%, mesmo percentual dos americanos, acima apenas de China (46%) e Índia (44%). Nos demais países, a reprovação ao presidente americano foi maior. Percepções mistas em ano de desafios Quando perguntados se acreditavam que as políticas de Trump eram boas para o próprio país, os brasileiros foram também os terceiros que mais concordaram com a afirmação (30%). Pouco mais da maioria (53%), entretanto, discordou. No ano passado, a diplomacia brasileira enfrentou uma série de desafios para manter uma boa relação com os EUA, conforme destaca o relatório. "Muitos dos que inicialmente receberam Trump com otimismo tiveram, desde então, experiências que os fizeram refletir. O Brasil e a Índia foram alvo de algumas das tarifas alfandegárias mais altas do mundo impostas pelos EUA. A África do Sul e o Brasil enfrentaram uma interferência maciça de Washington em suas políticas democráticas internas," afirma o texto. Trump começou seu segundo mandato na Casa Branca, em 20 de janeiro de 2025, afirmando que não "precisava do Brasil". Seis meses depois, ele saiu em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje preso em Brasília, e ordenou um tarifaço sem precedentes que abalou a parceria econômica de mais de dois séculos entre ambos os países. A Casa Branca aplicou sanções ainda contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e sua esposa com base na Lei Magnitsky, usada para punir unilateralmente supostos violadores de direitos humanos no exterior. Elas seriam retiradas em dezembro do ano passado. O jogo só começaria a virar na reta final do ano passado, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou com Trump, num movimento que permitiu o progressivo alívio das tensões. Trump e Lula em primeiro encontro formal, na Malásia, em outubro de 2025 REUTERS Canadenses preocupados Na contramão do Brasil, os países que veem com maior preocupação os efeitos do governo Trump são Canadá, Alemanha e França. Entre os canadenses, chegou a 77% o índice daqueles que discordam que as políticas do vizinho sejam boas para o próprio Canadá. As relações entre EUA e Canadá se deterioraram desde o início do segundo governo Trump. O republicano aposta em políticas econômicas protecionistas e já ameaçou diversas vezes anexar o vizinho como o 51º estado americano, instigando uma onda de patriotismo na população, apontam observadores. O atual governo canadense, liderado pelo primeiro-ministro Mark Carney, tem buscado estabilidade na relação e, ao mesmo tempo, reduzir a dependência comercial com os vizinhos e fortalecer a parceria militar com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Já na Europa, analistas citados no relatório da Conferência de Segurança de Munique deste ano afirmam que a população se vê pressionada pelo fim de uma era na qual o continente podia se proteger sob o guarda-chuva de segurança dos Estados Unidos. "A implacável agressão militar e híbrida de Moscou destruiu as ilusões de uma paz duradoura, enquanto a retirada gradual de Washington expôs as persistentes deficiências militares da Europa. O segundo mandato de Trump deixou claro que a defesa do continente e o apoio à Ucrânia são responsabilidade primordial da Europa", afirma Nicole Koenig, chefe de política da conferência. 'Homens demolidores' O relatório alerta para a destruição da ordem internacional por "homens demolidores" que, a exemplo do atual inquilino da Casa Branca, preferem desmantelar instituições a reformá-las. O documento cita como outros exemplos o presidente argentino, Javier Milei, o bilionário da tecnologia Elon Musk e "inúmeros políticos que apelaram abertamente à destruição de burocracias, tribunais ou acordos internacionais". Estes "homens demolidores", prossegue o documento, prosperam graças à "decepção generalizada com o status quo e reivindicam um mandato para rupturas radicais, tanto a nível nacional como internacional". A análise alerta ainda que a ascensão dessas lideranças "pode ser uma das tendências mais transcendentais do século 21, levando as sociedades democráticas liberais até — ou além — de seu ponto de ruptura". Na última Conferência de Segurança de Munique, o vice-presidente americano, JD Vance, antecipou o novo tom dos EUA para a Europa. Ele disse que a principal ameaça para o continente não vinha da Rússia nem da China, mas sim de uma suposta censura a que estariam sujeitos partidos de ultradireita, tal como a Alternativa para a Alemanha (AfD). A próxima edição da conferência acontecerá no próximo fim de semana, de 13 a 15 de fevereiro, num momento de alta tensão entre os EUA e a Europa, após Trump elevar o tom das ameaças contra a Groenlândia neste ano.