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Maioria dos eleitores dos EUA reprova gestão econômica de Trump, aponta pesquisa do Financial Times

O presidente Donald Trump discursa antes de assinar uma proclamação no Salão Oval da Casa Branca, na terça-feira, 5 de maio de 2026, em Washington AP/Jacque...

Maioria dos eleitores dos EUA reprova gestão econômica de Trump, aponta pesquisa do Financial Times
Maioria dos eleitores dos EUA reprova gestão econômica de Trump, aponta pesquisa do Financial Times (Foto: Reprodução)

O presidente Donald Trump discursa antes de assinar uma proclamação no Salão Oval da Casa Branca, na terça-feira, 5 de maio de 2026, em Washington AP/Jacquelyn Martin A inflação elevada, o aumento do custo de vida e os impactos da guerra no Irã estão corroendo a confiança dos eleitores americanos na condução da economia pelo presidente Donald Trump. É o que mostra uma nova pesquisa divulgada neste domingo (10) pelo Financial Times, a seis meses das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Segundo o levantamento, realizado pela empresa Focaldata entre os dias 1º e 5 de maio com 3.167 eleitores registrados, cerca de 58% dos entrevistados desaprovam a forma como Trump lida com a inflação e o custo de vida — hoje apontados como os principais problemas do país. O resultado representa um alerta para o Partido Republicano. Além da inflação, mais da metade dos entrevistados também desaprova a atuação do presidente em áreas como emprego, economia em geral e política externa, de acordo com a análise publicada pelo jornal britânico. Crise em Minesota expõe a instabilidade política de Trump? Tarifas e economia sob pressão As críticas se estendem à política comercial da Casa Branca. Segundo a pesquisa, 55% dos eleitores afirmam que as tarifas impostas pelo governo prejudicaram a economia dos Estados Unidos. Apenas cerca de um quarto avalia que as medidas trouxeram benefícios. A rejeição não se restringe a eleitores democratas. Independentes e até parte dos republicanos também demonstram insatisfação com a política tarifária, ainda que em menor grau, segundo o levantamento. A pesquisa foi realizada em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio. Ataques aéreos conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, desencadearam uma escalada militar que já afeta o mercado global de petróleo. O reflexo mais imediato foi sentido nos combustíveis. O preço médio da gasolina nos Estados Unidos chegou a cerca de US$ 4,60 por galão. O valor é quase 50% acima do nível registrado antes da escalada do conflito, segundo o Financial Times. Apesar disso, Trump afirma publicamente que os preços seguem “muito baixos”. A percepção dos eleitores, no entanto, é diferente: 54% desaprovam a condução do presidente na guerra contra o Irã. Entre republicanos, cerca de 20% também demonstram insatisfação, indicando divisões dentro da própria base de apoio. Queda na aprovação geral O desgaste econômico e externo se reflete na avaliação geral do governo. De acordo com a pesquisa, 54% dos eleitores desaprovam o desempenho de Trump como presidente, enquanto 39% aprovam. Entre eleitores independentes — grupo considerado decisivo nas eleições legislativas — a rejeição é ainda maior: mais de 58% têm avaliação negativa do presidente. Cenário eleitoral A poucos meses das eleições de meio de mandato, o levantamento indica vantagem dos democratas na disputa pelo Congresso. Segundo o Financial Times, o partido aparece oito pontos à frente dos republicanos entre eleitores registrados, diferença que aumenta entre independentes. Atualmente, os republicanos controlam a Câmara dos Representantes e o Senado. O desgaste econômico e a queda na popularidade do presidente podem, segundo a análise, abrir espaço para uma possível virada democrata nas eleições de novembro. Procurada pela Financial Times, a Casa Branca minimizou os resultados da pesquisa. Em nota ao Financial Times, um porta-voz afirmou que medidas como cortes de impostos, desregulamentação e a política energética do governo mantêm a economia em uma “trajetória sólida”. Segundo o governo, a expectativa é de que a redução das tensões no setor energético contribua para queda nos preços da gasolina, aumento dos salários reais e desaceleração da inflação.